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domingo, 8 de novembro de 2015
SOMOS O QUE SOMOS
Certa feita ouvi uma música muito legal. Falava de tudo, no sentido da harmonia das crenças. A associação das energias aos elementos da natureza, algo que os índios já faziam, os negros africanos, povos que viviam em comunhão com a mãe terra e ainda não haviam sido "domesticados" pelo cristianismo. A música tinha uma força gigante, porque clamava pelos elementos e uma energia incrível emana dos elementos:
Eu Sou a força, a força das pedras para me firmar.
Eu Sou a terra para me enraizar.
Eu Sou o vento para me elevar.
Eu Sou o fogo para me purificar.
Eu Sou a água para me lavar.
Eu Sou o sol, a lua, as estrelas, o Universo, para me iluminar.
Eu Sou Buda, Krishna, Cristo, Eu Sou a força de todos os Orixás.
É uma comunhão plena, a harmonização, a união, a unificação. Uma lindíssima demonstração de que somos Tudo em Tudo, e é uma coisa só. Para onde quer que olhemos, estaremos lá. Seja diante do espelho, seja na pessoa ao lado, seja no sol brilhando no céu azul, seja na imensidão do oceano... não há porque separar, não há porque dividir, não há porque estabelecer fronteiras. Estamos todos conectados. Imaginem uma colcha de retalhos, um quebra cabeças gigante, e lá estaremos. Peças individuais indispensáveis para a construção de algo maior...
Vamos quebrar barreiras e abraçar o amor. Independente de crenças. Por favor, seres energia. Vamos vibrar a paz, vamos vibrar o amor, vamos vibrar luz. Acenda a sua e ilumine a janela ao lado. Ainda que o vizinho prefira o escuro, você poderá ser um incentivo para que ele conheça a chama, saiba que está em nós e basta acessá-la. Lembrando que Jesus não inventou o cristianismo, tampouco Buda inventou o Budismo. Sua religião era o amor. Essa é a língua universal.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
ECOAR DA PAZ
É tão importante a qualidade da nossa vibração... a energia que emanamos, aquilo que ofertamos às pessoas ao nosso redor... não falo somente do contato pessoal, mas de tudo o que compartilhamos, seja mentalmente, seja verbalmente, seja na linguagem escrita...
Hoje dispomos de um veículo interessantíssimo de comunicação, este aqui, a internet. É uma forma fácil, simples, acessível, de mantermos contato com o mundo afora. Com o mundo mesmo, porque não existem fronteiras, raros são os locais onde não há tal acesso. Maior então a nossa responsabilidade. O que lançamos na web se espalha de forma incontrolável e não há como voltar atrás. Tudo o que registramos nesse veículo de comunicação virtual, ecoa e se dissemina indiscriminadamente, sem a garantia de um direcionamento específico. É bom que lembremos que somente deverá vir para este canal aquilo que queremos que seja visto, caso contrário, melhor não publicar.
Sempre estamos falando no desejo de um mundo melhor, mais bonito, mais justo, mais próspero, mais amoroso, mais feliz. E o que fazemos para ter este mundo? Que tipo de palavra escrita ou falada ando compartilhando por aí? Que tipo de ação, de gesto, de atitude, venho trazendo à minha prática diária? Gosto muito de uma frase de Gandhi: "seja a transformação que quer ver no mundo". Não é só uma frase bonita, uma boa postagem para as redes sociais ou para o whatswapp. Não. É uma grande verdade, uma observação inteligente. De que adianta reclamar da violência se eu não agir na paz? De que adianta reclamar da impaciência ou desatenção alheias se eu não agir com compreensão e procurar desenvolver essa ciência da paz... Reclamar e querer que o outro faça é desgastante, baixa a energia e torna você refém da vontade alheia. Mas, se você se focar em suas atitudes e procurar reformá-las segundo o que acredita ser melhor, traz o poder da transformação para si e a mágica se faz.
Vamos fazer de nossas vidas um exercício diário, vamos exercitar o músculo da consciência, o da paz, o do amor, o da compreensão, procurando dizer apenas o que contribui para elevar a energia do ambiente em que estamos, procurando agir sempre positivamente, a fim de produzir o melhor que possamos. O que não for bom, escrevemos num papel e rasgamos, esmurramos no travesseiro, soltamos num grito ao vento, jogamos fora, no lixo, não na internet. Vamos escrever - principalmente no eco da web - apenas o que possa acrescentar, o que possa transmitir coisas boas, as coisas que desejamos para o nosso mundo melhor.
O mundo é feito de pessoas, de natureza, de vida. Quanto mais as pessoas entenderem que fazem parte dessa natureza, dessa vida, mais harmonioso será o mundo. Todos somos energia cósmica. E é a nossa energia que será irradiada a cada ação boba que tenhamos. E energia de mesma qualidade retornará para nós. Pense nisso. Tenho certeza de que você perceberá que amar é muito mais fácil e, com certeza, muito melhor.
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
O PODER DO AMOR
Olá meus queridos!
É fato que eu não tenho uma rotina para postagens. Mas é verdade também que sempre venho postar quando a alma está querendo dizer algo a vocês, é como um chamado para nos conectarmos. E aqui estou.
O Planeta está em transformação. A Terra sempre nos presenteou com sua proteção e segurança, sempre nos ajudou como filtro de energia, a fim de que possamos nos restaurar, nos reabastecer, ainda que sem a consciência das perdas de energia, sem a consciência da forma equivocada que vimos vivendo até então...
Agora gente, é a nossa vez de colaborar. A nova era já não é mais novidade, virou até modismo... então é o momento de encararmos a verdade de que somos pura energia cósmica, e buscarmos a nossa própria fonte. É o momento de cada um vivenciar com afinco a sua crença, o seu encontro com o divino, na forma mais indubitável que existe: AMOR. Mesmo que você não acredite que é Deus na forma humana, mesmo que você não compreenda que é feito da mesma substância de uma estrela, mesmo que você entregue sua vida a alguém que a dirija, seja um sacerdote, um mestre, um guru, mesmo que você se imagine pó, mesmo assim, essa mensagem te pertence. A língua a ser falada aqui é a língua universal, é a língua que resolve conflitos, aproxima pessoas, cura doentes, independe de credo e raça, SOLUCIONA.Volto a afirmar: é o AMOR.
O AMOR fortalece, alimenta o espírito, enriquece o convívio, transforma, dá vida, promove o prazer e a alegria. Está intimamente ligado à paz, e afasta qualquer espécie de medo...
O AMOR deixa a gente tão pleno que as coisas se tornam mais simples, e o mais simples se torna algo incrível. Mas não estou falando do amor paixão, amores românticos e amores bandidos. Amores posse e amores dependência. Me refiro ao amor próprio, a uma compreensão de si mesmo que permita que você ame o outro a seu lado. Que você possa compreender seu colega, seu amigo, seu parente, seu vizinho... compreenda que a individualidade existe porque as diferenças existem e são para existir, porque temos que aprender algo, sempre. E quanto mais a ternura se expande, mais amor preenche nosso coração. Mais temos em nós e mais desejamos compartilhar. E o que não falta é gente pra compartilharmos...
Não é preciso que você imponha sua crença ao outro, ou que você reafirme suas verdades, ou que se dê ao trabalho de tentar modificar alguém. Ao contrário. Aceite. Aceite você, aceite o outro, aceite a vida, aceite as mudanças. Não falo de aceitar sofrimentos, falo de aceitar momentos. Momentos porque não somos estáticos, mudamos à medida em que vivemos. E vivemos para sermos felizes. À medida em que vamos descobrindo que ser feliz é uma questão de vontade, tudo fica mais fácil. O ponto principal aqui é: AME MAIS. Você vai sorrir mais, quem estiver ao seu redor vai sorrir mais, a energia que se aproximará será a mais risonha possível. E o nosso querido Planeta, com certeza, vai gargalhar de felicidade.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
VIDA É MÚSICA
É. Realmente a vida é música. É puro sentir sem lógicas, sem raciocínios, sem escolhas, sem rejeições. É uma perfeição. Cada nota, cada instante, cada momento, é único e perfeito, compõe a melodia. O som diz muito, diz tudo, numa nota. Um pedaço, uma vida, é a totalidade em si. Uma nota já produz o som. Uma nota já te diz que existe. Quando entoada com as demais, com a sequência, com a frequência da luz da vida, do Universo, do fluxo... é perfeição.
Um músico é um poeta. Um músico é um ser vívido, uma alma pulsando. E o melhor de tudo é que todos nós somos músicos. Todos nós somos música. Somos tão lindos, tão perfeitos, tão harmoniosos, tão, tão. Desejo que todos possam enxergar isso. Desejo que os olhos da alma se ascendam, se acendam, se abram, enxerguem. Escutem. Escutem a melodia da vida. Ela diz, ela fala a cada instante, a cada nota. Sintonizem nessa frequência. Se liguem nessa harmonia. Tudo é perfeito. Tudo está exatamente onde deveria estar. Para que vejamos o que precisamos ver, para que saibamos o que precisamos saber, para que lembremos. O amor da vida, a luz da vida, está em cada um de nós.
Um músico é um poeta. Um músico é um ser vívido, uma alma pulsando. E o melhor de tudo é que todos nós somos músicos. Todos nós somos música. Somos tão lindos, tão perfeitos, tão harmoniosos, tão, tão. Desejo que todos possam enxergar isso. Desejo que os olhos da alma se ascendam, se acendam, se abram, enxerguem. Escutem. Escutem a melodia da vida. Ela diz, ela fala a cada instante, a cada nota. Sintonizem nessa frequência. Se liguem nessa harmonia. Tudo é perfeito. Tudo está exatamente onde deveria estar. Para que vejamos o que precisamos ver, para que saibamos o que precisamos saber, para que lembremos. O amor da vida, a luz da vida, está em cada um de nós.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Quis escrever aqui. Quis compartilhar o que venho sentindo, descobrindo, relembrando... mas não está saindo. As palavras - sempre tão fáceis para mim - parecem não acompanhar o sentir, parecem mentir a cada linha que escrevo. Então apago. É como se o desejo de compartilhar não pudesse ser traduzido nas letras do alfabeto. É como se a experiência fosse só minha agora. O que posso dizer é NUNCA, NUNCA, JAMAIS DESISTAM. Se algo aperta o peito, se a coisa toda do lado de fora parece perturbadora, sempre há um aconchego, um refúgio, um lar para retornar, que não precisa de transporte, de companhia, de lógica, de conhecimento, de enriquecimento, que está aqui, pertinho, disponível todo o tempo, e fica bem dentro de cada um de nós. Chame de alma, de SER, de self, deus... não importa como queira chamar, mas é o ponto chave de tudo, é a resposta, a solução... então a sensação de paz, a plenitude, o bastante, já é, já está, e pronto. E o melhor de tudo, não se esgota num momento, não se resume a um transbordamento de instantes, é algo maior, mais simples talvez, mais avassalador, é um gostar permanente, um gosto gostoso de ser a gente, um prazer de morar nesse templo único, indivíduo, de cuidar dessa pessoa fofa que tem um nome, referências, vontades, projetos... essa coisa chamada de vida; e dá uma vontade enorme de contribuir integralmente para que essa figurinha conquiste tudo o que almejar, porque somos um - corpo e alma - prontos para viver as dualidades até a compreensão real de que... Ah! Ser feliz a cada instante, até quando não sorrimos, porque é bom demais se saber divino, a consciência, algo tão indescritível, que qualquer coisa que daqui brote, com certeza, vale a pena. E o sorriso da existência sempre está presente.
Grata, grata, grata...
Grata, grata, grata...
quarta-feira, 29 de julho de 2015
INDIVIDUALISMO EM TRÂNSITO
Eu estou certa. Não, na verdade, é você... Quem estará então? Nas ruas da cidade todo mundo está certo de que está certo. Ou, pelo menos, já se acostumou a andar errado... Vai ver já virou o ritmo, o costume local.
Os motoristas de Salvador possuem carteira de habilitação? É aquela carteira adquirida após determinado número de aulas em autoescola, os “Centros de Formação de Condutores”, onde se aprende a dirigir o veículo de quatro rodas denominado automóvel, e, após, se faz o exame no DETRAN. É a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), também conhecida como carta/carteira de motorista, nome dado ao documento oficial que, no Brasil, atesta a aptidão de um cidadão para conduzir veículos automotores terrestres, e seu porte, portanto, se faz obrigatório ao condutor de qualquer veículo desse tipo. Sim, provavelmente, a grande maioria é detentora de habilitação para trafegar nas ruas da cidade e estradas afora. Então, porque verificamos um trânsito tão caótico? Será o grande número de automóveis circulando nas ruas? Será que veremos rodízio em Salvador?
O fato é que assusta a forma com que dirigimos na cidade. Utilizar a sinalização é demonstrar ser motorista démodé, ultrapassado, e dar a seta para entrar à direita é um passo para não conseguir, pois os demais não dão passagem; mas se, com jeitinho, pula-se para a direita, aí tudo bem. Como assim?
E para que serve o pisca alerta mesmo? É muito comum ver um carro rodando todo o percurso com o pisca alerta ligado, como se o botão estivesse emperrado. E para encostar para estacionar, será que é preciso, realmente, dar o sinal para avisar ao carro de trás? Para que? É de praxe que ele adivinhe, não é mesmo?
Ah! Já ia esquecendo: em caso de tráfego parado, engarrafado, me parece que a dica do momento é não deixar espaços vazios na rua, é ir enfiando os veículos de modo que atravanque ainda mais a circulação e impeça que a fila prossiga normalmente à medida que o afunilamento vá diminuindo...
É. Brincadeiras à parte, o fato é que o individualismo predomina cada vez mais. O trânsito é só uma pequena amostra disso. Não estamos olhando o todo, o coletivo, no momento em que circulamos pelas ruas com nossos veículos. A preocupação é chegar o mais rápido ao destino e, muitas vezes, disputar espaço com os demais motoristas. O stress é grande e há uma grande tendência em compartilha-lo.
Vamos experimentar dar a passagem, usar os sinais e respeitar a sinalização das ruas? “Quem vai chegando, vai ficando atrás, menino educado, é assim que faz”. Lembram? Todo dia é um novo recomeço e todos nós, de alguma forma, em algum aspecto, somos crianças em fase de aprendizado. Quem sabe a gente relembra como é ser educado, como é dividir, compartilhar, e esse comportamento vergonhoso se torne apenas um momento passageiro, uma fase de aprendizado que será superada, um individualismo em trânsito.
sábado, 25 de julho de 2015
ROBOTIZAÇÃO VIRTUAL
A onda agora é ficar online. A internet, o universo cibernético, a globalização digital, chegaram para ficar. Enquanto a internet somente se mostrou a partir da segunda metade dos anos 90, as tecnologias subsequentes vêm crescendo, se reproduzindo, numa efervescência tremenda, num amadurecimento quase que instantâneo, tornando o produto lançado hoje, obsoleto no próprio dia seguinte.
Facebook, ipads, ipods, twitter, whatsapp... É o mundo globalizado, integrado, informado. Fato ocorrido no Japão pode ser transmitido em tempo real para um celular no Brasil. A informação secreta pode se tornar o assunto de primeira página de um tabloide internacional simplesmente porque alguém resolveu enviar um torpedo...
É a modernidade. É uma maravilha, algo impressionante de se ver. Quem vem desde o século passado, enxerga com mais clareza a explosão da indústria cibernética! É indiscutível o progresso em todas as áreas, na ciência, na indústria...
Hoje é mais difícil guardar segredos, produzir materiais exclusivos ou mesmo definir com precisão o verdadeiro idealizador de uma ideia... O malfeito ganha público numa velocidade inacreditável, e o enaltecimento ou mesmo a ridicularização de uma imagem se tornaram instantâneos.
É verdade que a net aproximou as pessoas. O mundo está cada vez menor. O ente querido que embarca para o Canadá está próximo nas telas do whatsapp, e pode conversar com a família via skype. O game norte-americano pode ser solicitado ao amigo em viagem aos states no momento em que este ingressa na loja especializada, através de um pedido gratuito, feito aqui do Brasil, por meio de um simples dedilhar no iphone.
Tudo ficou mais fácil. Toda a comunicação se tornou mais acessível. A conexão interpessoal, internacional, é coisa constante, transitável, bastando, para isso, aquele nosso tão conhecido celular, numa versão mais moderna...
E assim, possuir tal modernidade se tornou algo indispensável, e acompanhar o progresso tecnológico, uma meta diária na vida das pessoas. Conseguido o primeiro iphone 4, a meta do dia seguinte é a aquisição do iphone 5, depois virão o 6, o 7, o 8... e os indivíduos seguem suas vidas numa necessidade consumista desenfreada, numa fome de ter, de acompanhar o desenvolvimento da modernidade constante, de ter, de conquistar o tablet último lançamento – mesmo que não tenha a intenção de fazer a leitura de textos virtuais, e nem mesmo goste de ler... mas o fato é ter de ter. Mesmo que não tenha como pagar, mas é possível dividir em dez prestações, e todo mundo lá na rua já tem. Mesmo que eu trabalhe no mesmo local de todos os meus amigos do grupo do “zap”, a conversa é online, todos já têm, e eu preciso fazer parte disso pra me sentir bem...
E ainda que não falemos mais a fundo do consumismo exagerado e desenfreado, da irresponsável disputa pelo ter em detrimento do ser, não podemos nos calar perante a total ausência do contato presencial. O que se vê hoje, não como complemento ou para encurtar distâncias, mas como uma opção de fuga da realidade, é a relação virtual.
Casais em restaurantes “zapando” freneticamente, mas de forma individual, cada qual no seu whatsapp, numa interlocução não presencial – eles não estão curtindo o momento juntos, mas cada qual em sua viagem tecnológica pessoal. Provavelmente contando para alguém estar no restaurante com aquela pessoa, ou fotografando o prato principal... Quem sabe algum deles, em algum momento, possa ter o aparelho inoperante e uma conversa seja iniciada, o antes tão conhecido diálogo?
Saiam nas ruas e observem. Estão todos juntos na sala de espera, mas não se relacionam, não trocam ideias entre si, se mantêm cabisbaixos, mexendo rapidamente os dedos de ambas as mãos sobre o aparelho que: conversa, envia mensagens, textos prontos, copia e cola imagens, links, vídeos... Até os shows estão sendo assistidos através das telas dos celulares e afins, porque a foto ou a filmagem devem ser garantidas para postagem instantânea nas redes sociais e informar: “estou aqui”!
É impressionante o progresso tecnológico. É incrível a facilidade que a informatização, que a sistematização promove na vida cotidiana das pessoas. Mas é também decepcionante a facilidade com que as pessoas optam por vícios, por mecanizar os atos, por superficializar as relações. Talvez seja aquele velho medo de se conhecer, de se mostrar, de ser, o tão conhecido e humano medo de viver, que antes era objeto de buscas psíquicas ou espirituais, hoje “resolvido” num teclar virtual. E assim, vemos indivíduos abrindo mão de relações reais, de felicidade e sofrimento reais, da espontaneidade, da convivência, da beleza de ser diferente, e optando por mais um vício, a robotização virtual, como esconderijo, como um provável refúgio à prova de espelhos.
Facebook, ipads, ipods, twitter, whatsapp... É o mundo globalizado, integrado, informado. Fato ocorrido no Japão pode ser transmitido em tempo real para um celular no Brasil. A informação secreta pode se tornar o assunto de primeira página de um tabloide internacional simplesmente porque alguém resolveu enviar um torpedo...
É a modernidade. É uma maravilha, algo impressionante de se ver. Quem vem desde o século passado, enxerga com mais clareza a explosão da indústria cibernética! É indiscutível o progresso em todas as áreas, na ciência, na indústria...
Hoje é mais difícil guardar segredos, produzir materiais exclusivos ou mesmo definir com precisão o verdadeiro idealizador de uma ideia... O malfeito ganha público numa velocidade inacreditável, e o enaltecimento ou mesmo a ridicularização de uma imagem se tornaram instantâneos.
É verdade que a net aproximou as pessoas. O mundo está cada vez menor. O ente querido que embarca para o Canadá está próximo nas telas do whatsapp, e pode conversar com a família via skype. O game norte-americano pode ser solicitado ao amigo em viagem aos states no momento em que este ingressa na loja especializada, através de um pedido gratuito, feito aqui do Brasil, por meio de um simples dedilhar no iphone.
Tudo ficou mais fácil. Toda a comunicação se tornou mais acessível. A conexão interpessoal, internacional, é coisa constante, transitável, bastando, para isso, aquele nosso tão conhecido celular, numa versão mais moderna...
E assim, possuir tal modernidade se tornou algo indispensável, e acompanhar o progresso tecnológico, uma meta diária na vida das pessoas. Conseguido o primeiro iphone 4, a meta do dia seguinte é a aquisição do iphone 5, depois virão o 6, o 7, o 8... e os indivíduos seguem suas vidas numa necessidade consumista desenfreada, numa fome de ter, de acompanhar o desenvolvimento da modernidade constante, de ter, de conquistar o tablet último lançamento – mesmo que não tenha a intenção de fazer a leitura de textos virtuais, e nem mesmo goste de ler... mas o fato é ter de ter. Mesmo que não tenha como pagar, mas é possível dividir em dez prestações, e todo mundo lá na rua já tem. Mesmo que eu trabalhe no mesmo local de todos os meus amigos do grupo do “zap”, a conversa é online, todos já têm, e eu preciso fazer parte disso pra me sentir bem...
E ainda que não falemos mais a fundo do consumismo exagerado e desenfreado, da irresponsável disputa pelo ter em detrimento do ser, não podemos nos calar perante a total ausência do contato presencial. O que se vê hoje, não como complemento ou para encurtar distâncias, mas como uma opção de fuga da realidade, é a relação virtual.
Casais em restaurantes “zapando” freneticamente, mas de forma individual, cada qual no seu whatsapp, numa interlocução não presencial – eles não estão curtindo o momento juntos, mas cada qual em sua viagem tecnológica pessoal. Provavelmente contando para alguém estar no restaurante com aquela pessoa, ou fotografando o prato principal... Quem sabe algum deles, em algum momento, possa ter o aparelho inoperante e uma conversa seja iniciada, o antes tão conhecido diálogo?
Saiam nas ruas e observem. Estão todos juntos na sala de espera, mas não se relacionam, não trocam ideias entre si, se mantêm cabisbaixos, mexendo rapidamente os dedos de ambas as mãos sobre o aparelho que: conversa, envia mensagens, textos prontos, copia e cola imagens, links, vídeos... Até os shows estão sendo assistidos através das telas dos celulares e afins, porque a foto ou a filmagem devem ser garantidas para postagem instantânea nas redes sociais e informar: “estou aqui”!
É impressionante o progresso tecnológico. É incrível a facilidade que a informatização, que a sistematização promove na vida cotidiana das pessoas. Mas é também decepcionante a facilidade com que as pessoas optam por vícios, por mecanizar os atos, por superficializar as relações. Talvez seja aquele velho medo de se conhecer, de se mostrar, de ser, o tão conhecido e humano medo de viver, que antes era objeto de buscas psíquicas ou espirituais, hoje “resolvido” num teclar virtual. E assim, vemos indivíduos abrindo mão de relações reais, de felicidade e sofrimento reais, da espontaneidade, da convivência, da beleza de ser diferente, e optando por mais um vício, a robotização virtual, como esconderijo, como um provável refúgio à prova de espelhos.
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