terça-feira, 14 de julho de 2015

SOU EU QUEM VÊ

Olho, olho, olho... e o que vejo? Espelhos. Espelhos grandes, pequenos, limpos, sujos, nítidos, nublados... mas sempre há um reflexo neles. A imagem muda, o humor, o momento, o sorriso, o cabelo, o olhar... mas o reflexo está lá, real. Real?
Não tem muito sentido. Dá um prazer em me ver, gosto do que vejo, aprecio as expressões do meu rosto, as curvas e formas do meu corpo, o meu sorriso. Até o rosto avermelhado e inchado decorrente do choro sentido, quando olho, me trazem gargalhadas gostosas, junto à pergunta: para que isso?
Mas é esta a questão: para que isso? Não encontro o sentido de tudo isso. Isso o que? Estou completamente envolvida com o prazer de ser feliz. Escolho ser feliz. Num momento de dor, se vejo a cara do choro, olho para a menina chorona e penso alto: você é uma figura engraçada!
Não há dúvidas de que alguém me olha no espelho. Alguém me observa pensando. Esse mesmo alguém me acompanha caminhando, reclamando, comendo... e mesmo agora digitando. Essa é a minha salvação!
Quando a hora é animada, alegre, feliz, gosto tanto que esqueço até desse alguém. Mas quando bate o aperto no peito, quando a saudade vem forte, quando brota o choro no rosto, busco esse olhar para mim, confio que quem me olha vai resolver tudo, vai fazer cessar a dor.
O engraçado, o mais interessante, é que é tão fácil ter esse olhar me vendo... é o mesmo que me olha no espelho. Qual a dificuldade então?
As escolhas.
Se eu puder deixar esse olhar funcionar sem cortes na hora do riso, conferindo-lhe a mesma importância que tem na hora do choro, o riso perderá o sentido, mas eu não pararei de rir. É isso! Esse Eu que me vê no espelho achará tudo engraçado. Tal qual a gargalhada da hora do choro, surgirá a gargalhada da hora do riso. E este sorriso será muito mais gostoso do que o nascido do momento feliz, porque será meu, e não do momento, da situação, será Eu.
Não tenho dúvidas quanto a quem me olha no espelho. Sei que SOU EU. Ele vê a menina, vê a mulher, vê a linda e a sem jeito, a graciosa e a moleca, vê a segura de si e a atrapalhada, vê a mãe e a sedutora, a artista e a escritora, a espontânea e a questionadora... vê até quem ainda não consigo desvendar. O que assusta é quando não reconheço quem vejo. E o espelho fica vazio.
Mas agora eu sigo olhando. Sempre me fez bem e faz, fechar os olhos e sentir quem me vê, uma luz, uma fonte que faz o peito encher, encher, encher, até não caber mais em mim.

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