quarta-feira, 29 de julho de 2015

INDIVIDUALISMO EM TRÂNSITO


Eu estou certa. Não, na verdade, é você... Quem estará então? Nas ruas da cidade todo mundo está certo de que está certo. Ou, pelo menos, já se acostumou a andar errado... Vai ver já virou o ritmo, o costume local.
Os motoristas de Salvador possuem carteira de habilitação? É aquela carteira adquirida após determinado número de aulas em autoescola, os “Centros de Formação de Condutores”, onde se aprende a dirigir o veículo de quatro rodas denominado automóvel, e, após, se faz o exame no DETRAN. É a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), também conhecida como carta/carteira de motorista, nome dado ao documento oficial que, no Brasil, atesta a aptidão de um cidadão para conduzir veículos automotores terrestres, e seu porte, portanto, se faz obrigatório ao condutor de qualquer veículo desse tipo. Sim, provavelmente, a grande maioria é detentora de habilitação para trafegar nas ruas da cidade e estradas afora. Então, porque verificamos um trânsito tão caótico? Será o grande número de automóveis circulando nas ruas? Será que veremos rodízio em Salvador?
O fato é que assusta a forma com que dirigimos na cidade. Utilizar a sinalização é demonstrar ser motorista démodé, ultrapassado, e dar a seta para entrar à direita é um passo para não conseguir, pois os demais não dão passagem; mas se, com jeitinho, pula-se para a direita, aí tudo bem. Como assim?
E para que serve o pisca alerta mesmo? É muito comum ver um carro rodando todo o percurso com o pisca alerta ligado, como se o botão estivesse emperrado. E para encostar para estacionar, será que é preciso, realmente, dar o sinal para avisar ao carro de trás? Para que? É de praxe que ele adivinhe, não é mesmo?
Ah! Já ia esquecendo: em caso de tráfego parado, engarrafado, me parece que a dica do momento é não deixar espaços vazios na rua, é ir enfiando os veículos de modo que atravanque ainda mais a circulação e impeça que a fila prossiga normalmente à medida que o afunilamento vá diminuindo...
É. Brincadeiras à parte, o fato é que o individualismo predomina cada vez mais. O trânsito é só uma pequena amostra disso. Não estamos olhando o todo, o coletivo, no momento em que circulamos pelas ruas com nossos veículos. A preocupação é chegar o mais rápido ao destino e, muitas vezes, disputar espaço com os demais motoristas. O stress é grande e há uma grande tendência em compartilha-lo.
Vamos experimentar dar a passagem, usar os sinais e respeitar a sinalização das ruas? “Quem vai chegando, vai ficando atrás, menino educado, é assim que faz”. Lembram? Todo dia é um novo recomeço e todos nós, de alguma forma, em algum aspecto, somos crianças em fase de aprendizado. Quem sabe a gente relembra como é ser educado, como é dividir, compartilhar, e esse comportamento vergonhoso se torne apenas um momento passageiro, uma fase de aprendizado que será superada, um individualismo em trânsito.


sábado, 25 de julho de 2015

ROBOTIZAÇÃO VIRTUAL

A onda agora é ficar online. A internet, o universo cibernético, a globalização digital, chegaram para ficar. Enquanto a internet somente se mostrou a partir da segunda metade dos anos 90, as tecnologias subsequentes vêm crescendo, se reproduzindo, numa efervescência tremenda, num amadurecimento quase que instantâneo, tornando o produto lançado hoje, obsoleto no próprio dia seguinte.

Facebook, ipads, ipods, twitter, whatsapp... É o mundo globalizado, integrado, informado. Fato ocorrido no Japão pode ser transmitido em tempo real para um celular no Brasil. A informação secreta pode se tornar o assunto de primeira página de um tabloide internacional simplesmente porque alguém resolveu enviar um torpedo...

É a modernidade. É uma maravilha, algo impressionante de se ver. Quem vem desde o século passado, enxerga com mais clareza a explosão da indústria cibernética! É indiscutível o progresso em todas as áreas, na ciência, na indústria...

Hoje é mais difícil guardar segredos, produzir materiais exclusivos ou mesmo definir com precisão o verdadeiro idealizador de uma ideia... O malfeito ganha público numa velocidade inacreditável, e o enaltecimento ou mesmo a ridicularização de uma imagem se tornaram instantâneos.

É verdade que a net aproximou as pessoas. O mundo está cada vez menor. O ente querido que embarca para o Canadá está próximo nas telas do whatsapp, e pode conversar com a família via skype. O game norte-americano pode ser solicitado ao amigo em viagem aos states no momento em que este ingressa na loja especializada, através de um pedido gratuito, feito aqui do Brasil, por meio de um simples dedilhar no iphone.

Tudo ficou mais fácil. Toda a comunicação se tornou mais acessível. A conexão interpessoal, internacional, é coisa constante, transitável, bastando, para isso, aquele nosso tão conhecido celular, numa versão mais moderna...

E assim, possuir tal modernidade se tornou algo indispensável, e acompanhar o progresso tecnológico, uma meta diária na vida das pessoas. Conseguido o primeiro iphone 4, a meta do dia seguinte é a aquisição do iphone 5, depois virão o 6, o 7, o 8... e os indivíduos seguem suas vidas numa necessidade consumista desenfreada, numa fome de ter, de acompanhar o desenvolvimento da modernidade constante, de ter, de conquistar o tablet último lançamento – mesmo que não tenha a intenção de fazer a leitura de textos virtuais, e nem mesmo goste de ler... mas o fato é ter de ter. Mesmo que não tenha como pagar, mas é possível dividir em dez prestações, e todo mundo lá na rua já tem. Mesmo que eu trabalhe no mesmo local de todos os meus amigos do grupo do “zap”, a conversa é online, todos já têm, e eu preciso fazer parte disso pra me sentir bem...
E ainda que não falemos mais a fundo do consumismo exagerado e desenfreado, da irresponsável disputa pelo ter em detrimento do ser, não podemos nos calar perante a total ausência do contato presencial. O que se vê hoje, não como complemento ou para encurtar distâncias, mas como uma opção de fuga da realidade, é a relação virtual.

Casais em restaurantes “zapando” freneticamente, mas de forma individual, cada qual no seu whatsapp, numa interlocução não presencial – eles não estão curtindo o momento juntos, mas cada qual em sua viagem tecnológica pessoal. Provavelmente contando para alguém estar no restaurante com aquela pessoa, ou fotografando o prato principal... Quem sabe algum deles, em algum momento, possa ter o aparelho inoperante e uma conversa seja iniciada, o antes tão conhecido diálogo?

Saiam nas ruas e observem. Estão todos juntos na sala de espera, mas não se relacionam, não trocam ideias entre si, se mantêm cabisbaixos, mexendo rapidamente os dedos de ambas as mãos sobre o aparelho que: conversa, envia mensagens, textos prontos, copia e cola imagens, links, vídeos... Até os shows estão sendo assistidos através das telas dos celulares e afins, porque a foto ou a filmagem devem ser garantidas para postagem instantânea nas redes sociais e informar: “estou aqui”!

É impressionante o progresso tecnológico. É incrível a facilidade que a informatização, que a sistematização promove na vida cotidiana das pessoas. Mas é também decepcionante a facilidade com que as pessoas optam por vícios, por mecanizar os atos, por superficializar as relações. Talvez seja aquele velho medo de se conhecer, de se mostrar, de ser, o tão conhecido e humano medo de viver, que antes era objeto de buscas psíquicas ou espirituais, hoje “resolvido” num teclar virtual. E assim, vemos indivíduos abrindo mão de relações reais, de felicidade e sofrimento reais, da espontaneidade, da convivência, da beleza de ser diferente, e optando por mais um vício, a robotização virtual, como esconderijo, como um provável refúgio à prova de espelhos.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O DOM DE PENSAR

Em um dos livros mais antigos e curiosos da humanidade, a Bíblia, encontramos em Jeremias 33, 6: “vou pensar-lhes as feridas e curá-las, e proporcionar-lhes abundância de felicidade e segurança”.
O sentido de pensar se assemelhava a “tratar, cuidar”, ou será que se quis dizer que com a força do pensamento iriam ser curadas as feridas? Se acolhermos também a interpretação de que, etimologicamente, pensar teve o significado de tratar, cuidar, a visão de pensamento se alarga ainda mais.
É certo que o pensamento é divino, é universal, é mágico. É o causador de toda a realidade em que vivemos. O “Penso, logo existo” de Descartes, teria um condão mais esclarecedor e preciso: Penso, logo materializo. O pensamento é criador, é uma força inexplicável que atrai tudo aquilo em que focamos; que traz à realidade tudo aquilo em que acreditamos. A importância de direcionarmos os pensamentos é gigantesca. Trata-se de uma força cósmica, transcendental, energética, fluídica, magnética... não faltarão adjetivos, porque a prática, o dia-a-dia, é a prova mais cabal da força poderosa do pensamento.
Não somente o ato de pensar, mas o ato de acreditar no que se está pensando. O ato de focar no pensamento, de vibrar nele, isto é mágico, isto é realizador, isto atrai exatamente o que se está pensando. A atenção é fundamental. Pensei algo negativo, mas vi o pensamento, ele não me interessa; deixo que passe, não me pertence, não é meu. De fato há o “pensamento coletivo”, uma vibração emanada da crença coletiva, e como algo fluídico, se não nos atentarmos, podemos pensar ser nosso algo que é de outrem.
Daí a importância de pensar positivamente. Daí a importância de não divulgar o negativo, de não compartilhar o negativo. Eis o papel tão importante da imprensa, papel continuamente desvirtuado ao se importar somente em noticiar e espalhar o pesado, o feio, a mentira...
O que espalhamos, o que divulgamos, é matéria prima formadora do pensamento coletivo. Uma força tão poderosa não deve ser utilizada para materializar o mal. É importante e indispensável que tomemos consciência do nosso papel de criadores da realidade que aí está. Que tomemos consciência do papel de criadores da nossa realidade. Nossa vida está como pensamos, como vibramos, como acreditamos.
O chato é a insistência em acreditar no menos, aceitar o menos, em limitar-nos nossa humanidade. Li de um escritor muito querido, Leo Buscaglia, quando ainda menina: “somos muito menos do que somos”. O céu, definitivamente, não é o limite.
O sentimento que me veio neste momento foi exatamente com relação a essa visão do pensamento como algo curativo, transformador na própria etimologia da palavra. Nossa alma tão ilimitada, tão infinita, se encontra nos limites de um corpo físico. Um templo, uma capa, um invólucro. Mas fomos presenteados com o dom de pensar. O pensamento nos traz a infinitude, o ilimitado, o transcendental. Liga-nos diretamente ao cosmos, ao exotérico, ao invisível. Seria uma forma da vida de proporcionar uma estadia no corpo matéria, concomitantemente com a vivência no corpo astral? Um presentão. Isto, de forma tão sutil e tão eficaz, através do dom de pensar. Pensem nisso.

terça-feira, 14 de julho de 2015

SOU EU QUEM VÊ

Olho, olho, olho... e o que vejo? Espelhos. Espelhos grandes, pequenos, limpos, sujos, nítidos, nublados... mas sempre há um reflexo neles. A imagem muda, o humor, o momento, o sorriso, o cabelo, o olhar... mas o reflexo está lá, real. Real?
Não tem muito sentido. Dá um prazer em me ver, gosto do que vejo, aprecio as expressões do meu rosto, as curvas e formas do meu corpo, o meu sorriso. Até o rosto avermelhado e inchado decorrente do choro sentido, quando olho, me trazem gargalhadas gostosas, junto à pergunta: para que isso?
Mas é esta a questão: para que isso? Não encontro o sentido de tudo isso. Isso o que? Estou completamente envolvida com o prazer de ser feliz. Escolho ser feliz. Num momento de dor, se vejo a cara do choro, olho para a menina chorona e penso alto: você é uma figura engraçada!
Não há dúvidas de que alguém me olha no espelho. Alguém me observa pensando. Esse mesmo alguém me acompanha caminhando, reclamando, comendo... e mesmo agora digitando. Essa é a minha salvação!
Quando a hora é animada, alegre, feliz, gosto tanto que esqueço até desse alguém. Mas quando bate o aperto no peito, quando a saudade vem forte, quando brota o choro no rosto, busco esse olhar para mim, confio que quem me olha vai resolver tudo, vai fazer cessar a dor.
O engraçado, o mais interessante, é que é tão fácil ter esse olhar me vendo... é o mesmo que me olha no espelho. Qual a dificuldade então?
As escolhas.
Se eu puder deixar esse olhar funcionar sem cortes na hora do riso, conferindo-lhe a mesma importância que tem na hora do choro, o riso perderá o sentido, mas eu não pararei de rir. É isso! Esse Eu que me vê no espelho achará tudo engraçado. Tal qual a gargalhada da hora do choro, surgirá a gargalhada da hora do riso. E este sorriso será muito mais gostoso do que o nascido do momento feliz, porque será meu, e não do momento, da situação, será Eu.
Não tenho dúvidas quanto a quem me olha no espelho. Sei que SOU EU. Ele vê a menina, vê a mulher, vê a linda e a sem jeito, a graciosa e a moleca, vê a segura de si e a atrapalhada, vê a mãe e a sedutora, a artista e a escritora, a espontânea e a questionadora... vê até quem ainda não consigo desvendar. O que assusta é quando não reconheço quem vejo. E o espelho fica vazio.
Mas agora eu sigo olhando. Sempre me fez bem e faz, fechar os olhos e sentir quem me vê, uma luz, uma fonte que faz o peito encher, encher, encher, até não caber mais em mim.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Oi

Olá. Voltei. E agora parece que é para ficar.
Cheguei à conclusão que não dá pra fugir da gente. Não dá pra tentar se adequar a um contexto que não condiz com nosso ser. Tinha a informação, mas agora experimentei. É fato. Sou louca? Não sei. Se ser inadequada for loucura, eu sou. Se não pertencer a lugar algum for sinal de insanidade, eu sou.
Essa busca frenética por não buscar nada é doentia. Melhor parar e entrar. Não tem como sair mais. Não tem como fingir. Não tem como tentar assumir uma personagem "consciente" para integrar o contexto mundo. Não farei mais distinções. O mundo é espiritual. O espírito é mundano. É tudo uma coisa só. É tudo um universo do qual sou parte integrante e indissociável. Tentei. Entendo que o tempo todo quis me situar em algum lugar. Quis descobrir onde me enquadrar. Não posso, não consigo. Não mais. A única certeza de que dispunha agora não passa de passado. Tudo passa. Meu ser é a única coisa que fica. Eu sou a única que não pode se apartar de mim mesma. Eu sou a prova cabal de que somente o ser permanece. A capa muda. O envólucro sofre mudanças, sente mudanças, festeja mudanças. O ser se mostra certo do que quer, certo que é, e não está nem aí para os planos e vontades de uma personagem que acredita e insiste em se fazer real. A vida vem de lá e garante: não é. Danem-se os planos. Esqueça dos sonhos. Entre. Entre. Não precisa bater a porta. Mas entre. Mergulhe nessa zona sem chão, sem paredes, sem teto, sem lógicas... Entre no lugar tão claro, tão perto, tão em si mesmo, que é o último onde resolvemos penetrar. Dá medo, mas pessoa: feche os olhos. Através dessa aparente escuridão a luz se mostra. Já não sei mais como entrar. Talvez nunca tenha aprendido. Entrei porque entrei. Entrei porque o caminho de casa a gente diz que o carro já sabe, mas não que eu tivesse seguido um manual, olhado um roteiro, ou tivesse instalado um GPS...
Entrar. Preciso. É minha única saída.

Autoconhecimento: a chave da saúde

02/02/22. Esse foi o dia do lançamento do meu novo livro "Autoconhecimento: a chave da saúde", uma chave que abre todas as portas ...