Mexeu comigo. Li envolvida com a estória, com uma gana de conhecer a fundo as possibilidades de Nora. Uma mulher tratada como objeto, como retardada, como um bibelô inútil, incapaz de pensar por si mesma, como alguém que precisa de um homem para lhe dizer o que fazer. Tão inteligente. Inteligente ao ponto de buscar em si um potencial de boneca, e conseguir representar um papel tão convincente a si mesma, que ela própria acreditava ser frágil e dependente, de um “grande homem” que a protegeria acima de qualquer coisa. Era de esperar que o amigo Hank fosse servir de substituto, de “amor verdadeiro” a substituir o fracasso do marido cheio moralismo e “honra”...
Mas Ibsen me surpreendeu. Conseguiu oferecer mais do que supunha. Como homem, ele viu mais do que a época permitia. “Por trás de um grande homem sempre há uma grande mulher”. Uma máxima que, certamente, vem daí, da visão de quem não temia a opinião comum, a aceitação social, o costume permissível... É de tirar o chapéu. Ele não temeu mostrar a mulher como ser humano capaz e de tamanha sensibilidade e astúcia que conseguia contornar e compor as situações a que estava destinada com proeza, com uma sagacidade incrível. Derrubou estereótipos. Será? Já me senti Nora. E eu sou do século XX. Sei o que é fingir estupidez para deixar o homem parecer mais esperto. E era daquela forma mesmo: inocentemente. Era um acreditar que certamente ele sabia mais, ainda que não conseguisse compreender certas atitudes...
Ainda hoje, século XXI, as mulheres temem demonstrar quão inteligentes são para não amedrontar os parceiros ou as promessas de parceria... e as que se revelam, realmente, intimidam. Ganhar mais, ter iniciativa, a resistência física e emocional, de certa forma tem de ser algo disfarçado, porque não se pode revelar a fragilidade do macho.
Ibsen, em pleno século XIX, teve a coragem de gritar tal falseta, e não sei, mas desconfio que havia alguma mulher por perto, alguma Nora, confiante e corajosa, ao ponto de enfrentar o preconceito e a retaliação social, servindo de alerta para o outro lado da moeda, o que indica a grandiosidade do potencial feminino, a inspirá-lo. A grandiosidade da força feminina é tanta que a história demonstra a insistência em enfraquecê-la, em fazer uma lavagem cerebral constante no sentido de fazê-la acreditar que é menos do que é. Não há homem capaz de reduzir uma mulher. Somente ela pode fazê-lo. E nesse sentido caminhou a história, sempre. Fazendo a mulher traçar como rota, como destino, um homem. Essa é a única forma de detê-la. E chamamos isso de romantismo.
Amar é libertador. Mulheres do século XXI: sejam. Se o homem É, ele se apaixonará perdidamente por você. O que você não pode é se diminuir para torná-lo maior, porque isso é impossível. Você é que estará se escondendo de si mesma.
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