domingo, 2 de setembro de 2012

ANALFABETISMO FUNCIONAL

Assisti a um vídeo da entrevista de uma educadora que falava a respeito de “ANALFABETISMO FUNCIONAL”, ou seja, sobre o fato de que alfabetizar não se resume a conhecer as letras e formar frases ou saber fazer cálculos matemáticos, mas saber ler a vida, o mundo ao redor. E não é que é verdade mesmo?
A preocupação hoje é em alfabetizar em larga escala jovens e adultos, em proporcionar cotas para inclusão de estudantes no cerne das universidades do país, em modificar o português, mas o que não vemos é um verdadeiro entendimento do que seja compreender o mundo ao redor. De que adianta saber ler um texto, mas não assimilar o sentido dele, ou sequer aproveitar algo para a sua vida, para o seu crescimento pessoal? De que vale a literatura se não há uma interação, uma troca, uma curiosidade em se inteirar do conteúdo lido, um aprendizado... A teoria é muito importante, os versos, os tratados, as normatizações, os códigos linguísticos, mas de que valem se não há a prática? Os códigos linguísticos existem tão somente para facilitar a comunicação, mas se não há a aproximação das pessoas, de que vale a linguagem?
A alfabetização deve ser funcional, prática, efetiva. Interpretação textual é importante para o aprendizado na vivência. Mas é deixar-se envolver com a situação, com o momento vivido, o sentir, o absorver, o assimilar, a entrega, que é imprescindível para a interpretação do contexto vivido, ainda que as palavras não tenham sido literalmente expressadas. E ainda digo mais: há muitos eruditos analfabetos funcionais. Leitura e escrita são apenas canais, pontes – se nós não as atravessarmos para um viver prático, para uma sinergia, não haverá sentido algum nisso.

Um comentário:

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