Aprendi que o único momento que existe
é o agora. Não há o ontem, e o amanhã ainda não aconteceu. Portanto, não há
razão para preocupações, ansiedades e esperas. Somente um viver intensamente
momento a momento.
É uma grande lição. Na verdade é a
maior lição, pois a vida é um sentir, experienciar, e isso só acontece quando estamos
presentes, quando deixamos fluir o Ser, sem a tagarelice mental que insiste em
nos levar para o futuro e devolver ao passado.
A questão é: será que nos permitimos
sentir o momento?
Quantas vezes cumprimentamos as
pessoas, com um aperto de mão, um beijo ou um abraço, sem sequer sabermos o que
realmente estamos fazendo?
É o mesmo que perguntar a alguém que
encontramos um mero “como vai?” e a resposta não passar de um “tudo bem”, e, na
verdade, ninguém queria saber realmente como está o outro e este tampouco
gostaria de responder a respeito da realidade em que está vivendo. Tais gestos
funcionam apenas como um “oi”, uma praxe, sem a necessidade de qualquer
sentimento envolvendo a ação. Uma vez ouvi dizer que “o chato é aquele que
realmente responde como está sua vida e ainda conta tudo tim tim por tim tim”.
Ninguém está realmente interessado em
saber o que se passa com o outro. Não se quer conhecer o que está acontecendo
de fato consigo mesmo, quanto mais às pessoas ao redor...
Então os cumprimentos fazem parte de
mais uma regra comportamental, um gesto educado, não há ninguém ali, presente,
participando do momento.
Um grande mestre indiano ensina: quando
estiver comendo, coma. Quando estiver andando, ande. Esteja presente em tudo o
que estiver fazendo. Somente assim saberá o que significa experienciar, viver a
vida.
Por isso, digo: quando estiver abraçando,
abrace...
Hoje experimentei sentir um abraço. De
início é a mente atuando. De repente o sentimento toma conta... o toque do
outro se mistura com o corpo, a sensação de entrosamento... Somos realmente um
todo em partes. Quando as partes se encontram, a mistura se faz. Não há dois
seres em cumprimento, mas uma só energia fluindo. Um magnetismo natural, não
sei explicar...
Sentir é isso: Ser. Ou será o
contrário? Tanto faz. É tudo uma coisa só. Pura energia em um corpo ilusório
dando forma.
No momento em que abracei houve uma
transformação, o corpo tenso foi lentamente relaxando, a leveza de flutuar com
os pés no chão... a certeza de que somos feitos de energia é indiscutível.
Por isso, repito num grito: em tudo o
que fizer procure estar inteiro. Se estiver abraçando alguém, não divida, não
separe, não identifique a presença de dois corpos unidos, mergulhe no sentir,
viva o momento, e seja o abraço.
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