domingo, 27 de março de 2016

E O QUE É ACREDITAR?


Um amigo me perguntou: quem veio mais forte em sua vida, o amor ou a felicidade?
É algo muito interessante de se observar... são sentimentos tão ligados, tão sintonizados, tão sinônimos...
Sempre tive tudo e não era feliz. Muito bem tratada, acolhida, cuidada, orientada, acarinhada, mas faltava algo, buscava algo, que pensava ser alguém. Buscava o amor. Amor que pensava ser de um homem, amor de um companheiro, amor dos contos de fadas... buscava e não encontrava. E o vazio sempre presente. Considerava-me ingrata, por que tão insatisfeita se a vida me dava tudo com tanta facilidade?
Em tantas idas e vindas, em tantas experiências, experimentos, abismos, questionamentos, eu me vi numa busca religiosa, espiritual, na busca por respostas, mas encontrei cada vez mais perguntas. E a agonia era disfarçada por alguns períodos e retornava ainda mais forte.
Só então entendi que o tal amor era uma busca por mim, todos os questionamentos visavam à compreensão de mim mesma, a razão de minha existência e a rota a seguir para atingir a tal meta... Meta...
Sempre cheia de fé. Sempre acreditando. Sempre confiando cegamente. Esperando atingir um estado de ser equilibrado, iluminado, uma paz que permitisse uma vida realmente feliz.
Portas abrindo e fechando. Mas nunca duvidei de que o abrir e fechar era uma forma do Universo me conferir uma direção, me guiar ao propósito maior. Qual?
Não estamos sozinhos, não somos sozinhos, fazemos parte de algo gigante, de algo acolhedor, onipotente, que se move através de nós, que faz parte de cada um de nós. Essa foi a grande sacada. Esse foi o ponto alto da busca. Esse foi o instante do encontro com o entendimento: EU.
O autoamor, a autoaceitação, a compreensão de que não é o outro, não é o amor do outro ou pelo outro que nos completa, que realmente buscamos, mas o amor por nós mesmos. Aquela sensação de que nada mais importa, nada mais existe, e, ao mesmo tempo, de que tudo se encaixa perfeitamente e tudo está aqui dentro, que acolhemos todo o mundo dentro de nós, que penetramos na alma do mundo, sentimos e absorvemos, sentimos e compartilhamos, sentimos e simplesmente somos. E não há como esclarecer mais do que isto, não há como dizer em palavras o que é incognoscível, indefinível, o que é divino...
A sensação, o estado, o sentimento, o ser amor, é a razão de tudo, é a própria felicidade, é a razão de existir. Pude perceber o que é felicidade quando pude transbordar o amor...
Aí veio a insegurança, a dor, o medo, o vácuo. Porque a entrega é total e irrestrita, porque a confiança é tão plena que não há espaço pra qualquer sinal de dúvida, então o ser é a própria razão de existir e ser feliz é um estado de amor-gratidão permanente por tudo o que a vida oferece. E até o amor-homem se fez presente.
Mas há o mundo. Há a mente. Há a lógica e a razão cobrando e criando regras e condições, criando metas e objetivos, criando o desejo de reciprocidade, de igualdade, como se todos ao redor estivessem compartilhando do mesmo êxtase, da mesma pureza de espírito, do mesmo desejo de amar e amar e amar e amar... e vem a cobrança, e a decepção, e a descoberta de que a maldade existe, de que não se pode confiar indiscriminadamente, indistintamente, e vem a necessidade de se autoproteger, de se cercar apenas de quem sabemos nos amar verdadeiramente, dos poucos em que confiamos nossa verdade, nossa espontaneidade, nosso ser mais desnudo, mais puro, mais original. E o mundo se reduz. E o amor fica restrito. E a alma tão gigante, tão infinita fica pequena, apertada, fechada num paraíso reduzido por cercas protetoras que não impedem a dor porque nasci para amar, e gosto de amar, e meu peito aperta e explode, e meu ser sufoca porque preciso transbordar, preciso me doar, me abrir, abraçar, beijar, gritar, cantar, gargalhar, amar, amar, amar, amar e amar essa vida por completo, com todos dentro, com o mundo dentro... então a cabeça lembra da dor da decepção, da enganação, da risada irônica que não conhece o que é espontâneo, que não acredita no que é puro, que duvida do amor incondicional, e o medo vem, e eu me fecho em meu mundo restrito, em meu mundo de escolhidos que me amam de verdade, os amores da minha vida, que me veem como sou, que compreendem e sorriem com minha mania de mudar, com meu jeito diferente e bonito, com minha meninice gostosa, com os comentários maldosos repentinos de quem precisa se defender pra não sofrer os mesmos enganos, mas que não desiste das pessoas, porque não desiste de si mesma, porque sempre acredita, porque tem em si a própria essência da vida, porque adora o amor, vive pra amar e não consegue viver de outra forma, senão tudo perde o sentido.
E agora, quase dois anos depois, encontro esse texto. É a minha história. E fico em êxtase ao vislumbrar meu caminhar durante esses anos... Como é lindo viver! Cada momento é único!
Agora posso dizer que não há agonia, que não existe razão para defesas. Que o amor habita em mim. E esse amor move minha vida. A cada passo, a descoberta de que todos vivem essa busca, ainda que não saibam disso... E que o amor está em todo ser e há muito em nós para compartilhar. Não precisamos temer. Apenas agir. Há muito a fazer nesse mundo. Esse é o sentido de tudo. Sentir. Amar. Compreender. Observar. Compartilhar. As pessoas são lindas e as diferenças são degraus a trilhar.
Acreditar? Hoje nem está em cheque. Somos luz.
E o amor? Ah, amor. Não é pontual. É incondicional.

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