Teimamos em fazer essa divisão: o lado invisível e o lado material. O espírito e a matéria. Por que separar? Por que definir em lado bom e lado ruim? É tanta distinção, é tanta corrente, tanta religião...
O fato é que somos o que somos. Há em nós uma coisa gigante e imensurável, que não sabemos definir realmente e, por isso, deixamos que outros o façam, os pais, os mestres religiosos e, então, acatamos a definição que mais se aproxima ao que sentimos. Daí as religiões, seitas, grupos...
Em meio aos choros, dúvidas, medos, amores, alegrias, ansiedades, lutas, cansaços, euforias, há algo em cada um de nós que faz uma diferença tremenda. Algo que fortalece, sustenta, mantém, levanta com tanta força – principalmente no momento em que parece que não há jeito a dar... Quase a totalidade das pessoas chama de Deus, Universo, vida... O que realmente significa?
Pra que saber? O que saber? Passamos a vida buscando entender algo que dispensa entendimento. De que adianta saber o significado e poder explicar? A sensação, o sentimento, a força, permanecem ainda que não saibamos denominar. Certamente não vem de fora, é nosso. Certamente não é coisa para “escolhidos” “para poucos”, “para grupos” como insistem em querer disseminar... É total. É preenchimento em cada um, em todos nós. Todos têm força própria para continuar ou desistir, para gritar ou calar, para permanecer ou mudar, para somar ou dividir, para ser ou estar. Todos temos esse tal “Deus” em nós.
Não adianta rotular, separar, querer diminuir o que vemos, o que temos palpável, na matéria, em prol de algo invisível, “de planos superiores”. Não adianta menosprezar o que não enxergamos com os olhos do corpo, acreditar que só é real o que pegamos com as mãos. Chega gente. Pra mim chega. Andei, andei, rodei, busquei, cheguei a achar que nada do mundo servia, que até atrapalhava, porque o invisível, o divino seria solução, a verdade, o certo. Cheguei a acreditar que as pessoas ao redor podiam estar minando energias positivas, da alma, do ser... Que nada!
Somos o que somos. Tudo está perfeito. Tudo é perfeito. Se somos carne, matéria, românticos, egoístas, espiritualistas, buscadores, materialistas, generosos, medrosos, confiantes, somos gente. Somos força, destemor, grandiosidade, inexplicáveis, capazes de voar, de inventar, de recriar, de gerar, de amar, de cuidar, somos alma.
Percebo que temos tudo o que necessitamos em nós mesmos. E não importa o que digam os grupos. Sejam eles sociais, sejam buscadores do invisível, estejam movidos por medo, por curiosidade, por natureza, por acreditarem na magia, no amor, somos todos vida.
Esse é o sentido pra mim. Certos e errados, humanos e divinos, bons e inseguros, repletos e carentes, andarilhos e viajantes do espaço, seja com o céu como limite, seja multidimensional, em tudo há um eu existindo. O eu Eu e o eu Você. Nós. Vida. Sem cobrar perfeição porque ela é gratuita. Já veio com a gente. Se escrevo agora com lágrimas, há um sorriso enorme em mim. Agradeço por ser quem sou. Apenas eu. Igual a você. Sem distinção alguma. Com um monte de sonhos. Sejam sonhos da vida no corpo, sejam os sonhos da vida na alma. Consciente da realidade. Que não sei qual é e jamais saberei. Porque não é pra saber. É só pra viver.
Obrigada a tudo, a todas as pessoas que estiveram no meu caminho até aqui. Obrigada as pessoas que seguem comigo. Obrigada aos que encontrarei adiante. Obrigada a quem segue o tempo inteiro, todos os dias, todos os instantes, até quando desejo ficar completamente sozinha. Obrigada a todos os seres que habitam o mesmo planeta, ou outros, sejam desta ou de todas as infinitas dimensões.
Valeu.